AMAR, VERBO INTRANSITIVO – Idílio

“Simplesmente incômodo”

O hiper moderno Mário de Andrade, ensaiando pra sua obra mais famosa - Macunaíma – decidiu publicar  AMAR, VERBO INTRANSITIVO – Idílio.  Aquilo que, a primeira vista, é mais uma obrinha modernista, pode se tornar um dos seus livros favoritos. Publicado em 1927, é inusitado em sua forma e  trama.capa

Por que ler: É um livro de um dos escritores mais famosos do Brasil; é curto; fácil de ler; e, o mais importante: é interessantíssimo.
A trama é a história de um pai que contrata uma professora de amor para seu filho. SIM, UMA PROSTITUTA. Mas, não uma qualquer. Ela realmente acredita no que faz e não ensina apenas sexo, mas o amor em toda sua plenitude. Seu nome é Elza – a Fräulein. É uma alemã que fugiu da crise do período entre guerras. Além de iniciar meninos no amor, leciona, principalmente, alemão e piano.
Além dessa trama intrigante, o livro conta com um narrador intrometido: descaradamente, comenta os detalhes da trama em primeira pessoa. Ele utiliza digressões, finge-se Machado… o clássico “onisciente em terceira pessoa”.
Só pra intrigar ainda mais, há certa base freudiana e diversos conceitos – e preconceitos – sobre a ex-colônia portuguesa em que vivemos e outros países.

Questões a se considerar: Como já falado, Mário era super moderno. Assim como sua obra. Esse livro é um grito modernista: a pontuação não segue a gramática; o vocabulário é um recorte de diversos regionalismos do Brasil; e o autor queria inovar no formato – o que em partes foi bom, mas em outras…
Deve-se ouvir essa narrativa, vê-la. Um livro que se aproxima do roteiro, do cinema – não a toa deu origem ao filme Lições do Amor de  Lilian Lemmertz.

É uma baita dica do I&C pra quem gosta de ler o que é clássico e ao mesmo tempo diferente. Com uma trama inusitada; uma norma prosódica; e um formato caduco, Mário de Andrade garante um agradável desconforto ao leitor.

Para os mais interessados, seguem duas análises mais didáticas e preocupadas com o estilo do autor:
Passei Web
Portal São Francisco

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Expedição Xingu

Segundo a lenda do Saci Pererê, hoje (6/04) estréia o novo filme de Titio Cao (Sim, o mesmo de “O Ano que Meus pais Saíram de Férias” e o clássico “Castelo Ra-Tim-Bum”) e sua patota, Xingu. Sob a produção da O2 filmes, a obra já saiu abocanhando Berlim, e seguindo o quarto preceito de Gandhi: “Tem que ser muito fera pra faturar um Leão de Ouro”.Para isso conta com um elenco de primeira encabeçado por João Miguel (Claudio), Felipe Camargo (Orlando), Caio Blat (Leonardo) e uma “tabada” de índios nativos do Xingu.

Poster Xingu

Dramatizando a famosa expedição dos irmãos Villas-Bôas o filme consegue a proeza de ser histórico sem ser boring, nas palavras do próprio diretor “Faltam bons romances que narrem a história sem aquele detalhismo, nessa falta o Cinema tem que conta-las”. Um retrato muito humano dos personagens, nos lembra que a história não é feita por mocinhos e bandidos, e que por trás de cada herói temos uma infinidade de outras ações, ponto para os roteiristas, mas com uma bela ajuda dos Irmãos.

O filme começa com Claudio e Leonardo, instruídos e de boa família, se preparando para a seleção de peões que desbravariam o inóspito centro-oeste tupiniquim, partindo rumo a aventuras e encontrando algo mais. Na vida real eles foram os principais (E praticamente únicos) responsáveis por impedir parte do avanço voraz do governo brasileiro, fato tratado em abundância no filme. Interessante é ver como as figuras vão mudando, e o que antes era apenas uma aventura passa a fazer parte da vida deles, contudo, conforme o filme se desenrola vamos vendo cada vez menos os Villas-Bôas que entraram na expedição e cada vez mais os homens Brancos divididos com seu lado Indígena.

Numa forte aposta na web, o projeto vai além das telonas e já visita redes sociais (Facebook e el Twiton), um aplicativo para Iphone condensando todos os assuntos relacionados com o filme e ainda disponibilizando uma porrada de conteúdo extra; e  um Site divertosíssimo com uma integração bem bacana com a empresa do Nhô Zuckerberg. Dispostas em um rústico mapa da região, informações (Notícias, fotos e vídeos originais) e bastidores das gravações são palco da ‘Coleção Pessoal’, funciona mais ou menos assim, quanto mais você ver o conteúdo do filme, mais você sobe na hierarquia, tudo isso até se tornar um Villas-Bôas e ter acesso a conteúdo exclusivo (Para Acessar Clique Aqui). Some tudo isso a 5 anos de produção e Xingu faz valer cada centavo investido, com belíssimas imagens do pantanal e uma ambientação sonora que te joga pra dentro de uma floresta, é o tipo de filme para se ver no cinema.

Incrível, também, é observar a caracterização do Brasil de 50 anos atrás sem aquele choque dos ‘Filme de Época’, tudo tão natural que parecemos “voyeurisa-los”, e sem nenhuma computação gráfica, só aproveitando os pontos intocados de Sampa e del Xingu. Fato que eu só descobri após a  pré-estréia, numa conversa rápida com o diretor de arte (Cassio Amarante), que em uma aula de cinema, me lembrou que o que faz o cenário não é o espaço em si, e sim o que mostramos dele.

Por Belcha, que queria viver peladão, como o Sting, no Xingu e queria agradecer a FAAP e ao Cao/Cassio pelo tempo.

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Encontros e Desencontros

“Sofia Coppola honrando a família”

Encontros e Desencontros (Lost in Translation) é um filme de 2003 escrito e dirigido por Sofia Coppola e estrelados pelo eterno caçador de fantasmas Bill Murray e pela sempre incrível Scarlett Johansson. O filme ganhou melhor roteiro original no Oscar de 2004.

O filme conta a história de Bob Harris e Charlotte. Bob é um ator renomado que está em Tóquio para estrelar uma campanha publicitária e Charlotte está acompanhando seu marido fotógrafo, que sempre a deixa sozinha, pois está sempre trabalhando. Os respectivos casamentos de Bob e Charlotte não andam bem e eles estão sozinho em Tóquio. Um dia no bar eles se conhecem e começam a desenvolver uma relação de amizade e compreensão mútua.

A primeira coisa que chama muito a atenção é o roteiro – TALVEZ POR ISSO TENHA GANHADO O OSCAR: não se conta uma história de amor usual, mas como um sentimento muito profundo (e até platônico, em certa medida) cresce e se torna uma coisa bastante bela. Bacana é como o título original entra nesse contexto, enquanto os  personagens são “incompreendidos” em Tóquio, eles acham a compreensão um no outro. O genial é que não há tantos diálogos quanto se imagina, mas passam-se emoções delicadíssimas nas cenas. Grande mérito dos atores, que estão ótimos.

O grande Sr. Murray está muito bem em cena e mostra todas as suas habilidades. Uma cena inesquecível é a em que seu personagem tem que fazer várias “expressões” pra fotografia, apesar de simples e bobinha ela exibe muito do talento do caçador de fantasmas. Scarlett está incrível como sempre e nos conquista na cena do karaokê.

Grande recomendação pra quem quer uma história de amor sensível e totalmente diferente das mil comédias românticas que existem.

por Borbs, que queria discorrer muito sobre o filme, mas não tem tempo.